sábado, 29 de março de 2014

Suspensos em uma prateleira.

Uma das poucas coisas que me trazem prazer absoluto é viajar, nessas minhas andanças da vida procuro sempre que possível trazer algo dos lugares que passo, uma forma de lembrança, diria que só de olhar para esses objetos sinto como se existisse algo que me fizesse voltar para lá, uma ligação quase mágica. É assim com as pessoas, estamos constantemente expostos ao contato dos nossos semelhantes. Preço e tamanho dos objetos que levamos pra casa são diretamente proporcionais ao significado que a gente atribuiu a esses encontros. Existem aqueles que deixam conosco apenas a mais perecível das memórias, um bilhete ilegível, ou um presente simples, até mesmo um beijo na alma.

Fico feliz, e abro um sorriso toda vez que olho para a minha prateleira e nela encontro as mais valiosas lembranças, das pessoas mais importantes com as quais tive a felicidade de conviver. Cada uma dessas eternas lembranças se materializam na forma de um objeto, que com apenas um olhar me faz lembrar o porque dele estar ali, sobre esse pequeno pedaço de madeira na minha parede. Me pego imaginando, e tentando adivinhar em quantas prateleiras estou. Será que tudo que eu deixei nesse mundo foi aquele chaveiro esquecido numa gaveta qualquer? Ou será que sou eu aquele objeto que ocupa lugar de destaque na casa das pessoas? As pessoas podem viver perfeitamente sem aquelas essas coisas supérfluas, mas atribuímos por si só valor incalculável aqueles pequenos fragmentos de lembranças materiais.

Quero com todas as forças do mundo que meu impacto nas pessoas seja tão sutil como um trovão em uma noite quieta de Outono, que sejam marcas fortes mesmo que sejam marcas de um passado bom ou de um presente melhor ainda, que a marca vire cicatriz e que todos que passaram por mim levem consigo em seus corações um pouco dos meus modos e risos, que não haja dor é claro, e que as explosões nos pulverizem em pequenos mas extremamente importantes pedações, colando nos corações daqueles que cruzarem o nosso caminho. Sejamos importantes, eternos e sem preço, que o beijo da despedida seja mais uma marca, assim como a lembrança que nos carateriza porque  o afeto sempre irá existir.