A
literatura dos meus dias perdeu seu caráter ‘’diário de bordo’’, virou romance
que não mais se rotula em poucos parágrafos. Muitas vezes, em incessantes
momentos abandonei dezenas de páginas em branco, pois olhava incrédula, para
dentro de mim e não via nada senão a névoa que gritava por tal nome.
O
romance nos desafia, a pensar, evoluir, por vezes tira a paciência, e pode até
nos subtrair alguns anos de vida, algumas lágrimas a mais, mas quando é que
alguém, por um minuto que fosse cogitou a ideia de viver sem ele? Nossas
aspirações vão, cada vez mais aproximando-se da realidade, a gente passa a
prometer menos, mentir menos, e chega até achar que dessa vez, erraremos menos,
por julgarmos saber onde escondem-se todas as bombas desse campo de pequenas
explosões. Nem preciso lembrar que a única certeza neste romance é a de estar
eternamente em sérios apuros, a gente fica batendo as pernas, estralando os
dedos para não se deixar afundar totalmente no obscuro e indecifrável oceano
que é a vida daquela pessoa com a qual estamos de mãos dadas, pés atados,
corações unidos.
É
perigoso, a gente arrisca mais, ninguém nos obriga a viver o amor, mas a gente
ama vivê-lo intensamente, incansavelmente aquela luta que se prolonga todos os
dias após aquele suspiro profundo, seco. Ninguém nos obriga a sentir as mesmas
dores de novo, mas a gente quebra mil pedaço do que somos pra sentir o prazer
da cura vindo daquelas mãos que nós transformamos em nossa calma, alma. Também
achamos que podemos viver sem PAPO! Essas palavras muitas vezes saem de nossas
bocas, mas não de nossos corações, pois lá dentro a única coisa que queremos
dizer é FICA, mas fica pra sempre!
Romance
é o que se persegue nas esquinas, nos corredores, nos computadores, que foge a
luz dos postes, que nos transforma em seres vulneráveis a sentimentos de
saudade, nostalgia, prazeres e sonhos. A urgência que temos em vivê-lo mesmo
que torto, inacabado, ferido, precipitado, errado, proibido, distanciado e
talvez impossível, mas vivê-lo de verdade, com tamanha intensidade e sem
amarras.O romance é estar sim em apuros, mas estou vivendo e por incrível que
pareça não tenho a minima vontade de ser salvo.