sábado, 29 de março de 2014

Suspensos em uma prateleira.

Uma das poucas coisas que me trazem prazer absoluto é viajar, nessas minhas andanças da vida procuro sempre que possível trazer algo dos lugares que passo, uma forma de lembrança, diria que só de olhar para esses objetos sinto como se existisse algo que me fizesse voltar para lá, uma ligação quase mágica. É assim com as pessoas, estamos constantemente expostos ao contato dos nossos semelhantes. Preço e tamanho dos objetos que levamos pra casa são diretamente proporcionais ao significado que a gente atribuiu a esses encontros. Existem aqueles que deixam conosco apenas a mais perecível das memórias, um bilhete ilegível, ou um presente simples, até mesmo um beijo na alma.

Fico feliz, e abro um sorriso toda vez que olho para a minha prateleira e nela encontro as mais valiosas lembranças, das pessoas mais importantes com as quais tive a felicidade de conviver. Cada uma dessas eternas lembranças se materializam na forma de um objeto, que com apenas um olhar me faz lembrar o porque dele estar ali, sobre esse pequeno pedaço de madeira na minha parede. Me pego imaginando, e tentando adivinhar em quantas prateleiras estou. Será que tudo que eu deixei nesse mundo foi aquele chaveiro esquecido numa gaveta qualquer? Ou será que sou eu aquele objeto que ocupa lugar de destaque na casa das pessoas? As pessoas podem viver perfeitamente sem aquelas essas coisas supérfluas, mas atribuímos por si só valor incalculável aqueles pequenos fragmentos de lembranças materiais.

Quero com todas as forças do mundo que meu impacto nas pessoas seja tão sutil como um trovão em uma noite quieta de Outono, que sejam marcas fortes mesmo que sejam marcas de um passado bom ou de um presente melhor ainda, que a marca vire cicatriz e que todos que passaram por mim levem consigo em seus corações um pouco dos meus modos e risos, que não haja dor é claro, e que as explosões nos pulverizem em pequenos mas extremamente importantes pedações, colando nos corações daqueles que cruzarem o nosso caminho. Sejamos importantes, eternos e sem preço, que o beijo da despedida seja mais uma marca, assim como a lembrança que nos carateriza porque  o afeto sempre irá existir.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Não mais diário de bordo..

  A literatura dos meus dias perdeu seu caráter ‘’diário de bordo’’, virou romance que não mais se rotula em poucos parágrafos. Muitas vezes, em incessantes momentos abandonei dezenas de páginas em branco, pois olhava incrédula, para dentro de mim e não via nada senão a névoa que gritava por tal nome.
  O romance nos desafia, a pensar, evoluir, por vezes tira a paciência, e pode até nos subtrair alguns anos de vida, algumas lágrimas a mais, mas quando é que alguém, por um minuto que fosse cogitou a ideia de viver sem ele? Nossas aspirações vão, cada vez mais aproximando-se da realidade, a gente passa a prometer menos, mentir menos, e chega até achar que dessa vez, erraremos menos, por julgarmos saber onde escondem-se todas as bombas desse campo de pequenas explosões. Nem preciso lembrar que a única certeza neste romance é a de estar eternamente em sérios apuros, a gente fica batendo as pernas, estralando os dedos para não se deixar afundar totalmente no obscuro e indecifrável oceano que é a vida daquela pessoa com a qual estamos de mãos dadas, pés atados, corações unidos.
  É perigoso, a gente arrisca mais, ninguém nos obriga a viver o amor, mas a gente ama vivê-lo intensamente, incansavelmente aquela luta que se prolonga todos os dias após aquele suspiro profundo, seco. Ninguém nos obriga a sentir as mesmas dores de novo, mas a gente quebra mil pedaço do que somos pra sentir o prazer da cura vindo daquelas mãos que nós transformamos em nossa calma, alma. Também achamos que podemos viver sem PAPO! Essas palavras muitas vezes saem de nossas bocas, mas não de nossos corações, pois lá dentro a única coisa que queremos dizer é FICA, mas fica pra sempre!
  Romance é o que se persegue nas esquinas, nos corredores, nos computadores, que foge a luz dos postes, que nos transforma em seres vulneráveis a sentimentos de saudade, nostalgia, prazeres e sonhos. A urgência que temos em vivê-lo mesmo que torto, inacabado, ferido, precipitado, errado, proibido, distanciado e talvez impossível, mas vivê-lo de verdade, com tamanha intensidade e sem amarras.O romance é estar sim em apuros, mas estou vivendo e por incrível que pareça não tenho a minima vontade de ser salvo. 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Sem GPS, sem bússola.

  • Percebo que estou envelhecendo quando sinto em minha mente a presença de cada vez mais pensamentos aos quais eu não posso ou não consigo dar vazão. Sempre tive uma certa facilidade pra traduzir pensamentos e emoções em linhas, parágrafos, mas esse artesanato, essa peça a ser moldada leva tempo, é cansativo e certas vezes quando começamos a dar forma vem outra onda de sentimentos e Pluft! Somos atropelados por outra nova sensação, essa urgência de uma vida que somos obrigados a viver, presenciar, toda vez que abrimos os olhos para começar um novo dia.
  • No entanto, essa mesma onda acaba nos amarrando a uma intensa e incessante necessidade de ter antigas sensações, de voltar naquele tempo em que a televisão era o divertimento, o andar de bicicleta era o paraíso, sentir os prazeres que antes nos eram rotineiros, essas emoções. A gente sai de cena, hoje, com as roupas rasgadas, bolsos vazios e a mente confusa, na maior parte do tempo com a mente extremamente confusa, perdida em meio aos monstros que dela não saem sem saber como fomos parar ali. Mas e se pudéssemos jogar todos os livros fora e carregar apenas a página do agora? É tão comum a gente se apegar ao passado e viver numa réplica dele, na ilusão de que estamos andando pra frente… no entanto, se tivéssemos realmente sido felizes no processo, jamais teríamos mudado. Então a gente muda mais uma vez. Mas o problema é que a gente muda sentindo medo demais. A gente navega perto da costa, esquecendo-se de que poderia ser bom perder o horizonte, seguir a vontade da corrente e atracar na próxima ilha. Por mais que ela demore a surgir essa sensação é nova, e a gente chegou lá sem gps, sem bússola e com uma nova história pra contar.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Já foi 8..

Hoje é apenas o oitavo dia, e as palavras que até então estavam sendo poucas resolveram se manifestar mais uma vez, entre dores, cores e amores a literatura dos meus dias tornou-se mais visível, hoje vivo mais, admiro mais, choro mais e amo muito, mas muito mais.
Mas se tu me perguntar ‘’ Como vai você? E o seu romance ainda continua em apuros?’’
Eu responderia ‘’ Mas e quem não vive intensamente a busca da resolução do seu romance que sempre está em apuros?’’
Pois é, somos remediados ano após ano com doses de romance, alguns ganham maior espaço, outros aprendem a amar todo novo ano mês, dia, semana, minuto? Minuto pois desde o momento que você olha dentro daqueles olhos tão intensos e tão magicamente teus, já se passaram 60 segundos de um novo amor, um novo romance começa, um antigo romance continua..
Amo muito, e quem não ama? Amo aquela cor azul bebe, amo ouvir Fresno e escrever tantas linhas, páginas com sentimentos que enjoariam qualquer se não existisse um resquício de amor bem do fundinho do coração, amo muito mas já desamei também, hoje apenas aprendo a me amar, a amar o sol, a luz, a música horrível da propaganda chata da rádio, enfim eu amo....

É por esse amar que no último dia de 2013 eu pedi aos céus que o amor jamais acabasse, que esse amor não fosse deixado de lado, descuidado, desamado, pois meu bem se amar é isso, é imaginar milhões de corações ao teu redor, é aprender a cantar uma nova música ao pé do seu ouvido, e logo após envolver te em um beijo caindo sobre teus olhos tão profundos tão fortes tão meus, que junto com os meus formam a imensidão de um oceano de amor.. Ah meu amor, eu amo, eu amei, eu continuarei a amar por mais 365 dias de mais um ano de minha vida, que diminuindo esses 8 que já vivi sobram apenas 357 e então vamos juntos amar, e nos deixar ser amados?