segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Não mais diário de bordo..

  A literatura dos meus dias perdeu seu caráter ‘’diário de bordo’’, virou romance que não mais se rotula em poucos parágrafos. Muitas vezes, em incessantes momentos abandonei dezenas de páginas em branco, pois olhava incrédula, para dentro de mim e não via nada senão a névoa que gritava por tal nome.
  O romance nos desafia, a pensar, evoluir, por vezes tira a paciência, e pode até nos subtrair alguns anos de vida, algumas lágrimas a mais, mas quando é que alguém, por um minuto que fosse cogitou a ideia de viver sem ele? Nossas aspirações vão, cada vez mais aproximando-se da realidade, a gente passa a prometer menos, mentir menos, e chega até achar que dessa vez, erraremos menos, por julgarmos saber onde escondem-se todas as bombas desse campo de pequenas explosões. Nem preciso lembrar que a única certeza neste romance é a de estar eternamente em sérios apuros, a gente fica batendo as pernas, estralando os dedos para não se deixar afundar totalmente no obscuro e indecifrável oceano que é a vida daquela pessoa com a qual estamos de mãos dadas, pés atados, corações unidos.
  É perigoso, a gente arrisca mais, ninguém nos obriga a viver o amor, mas a gente ama vivê-lo intensamente, incansavelmente aquela luta que se prolonga todos os dias após aquele suspiro profundo, seco. Ninguém nos obriga a sentir as mesmas dores de novo, mas a gente quebra mil pedaço do que somos pra sentir o prazer da cura vindo daquelas mãos que nós transformamos em nossa calma, alma. Também achamos que podemos viver sem PAPO! Essas palavras muitas vezes saem de nossas bocas, mas não de nossos corações, pois lá dentro a única coisa que queremos dizer é FICA, mas fica pra sempre!
  Romance é o que se persegue nas esquinas, nos corredores, nos computadores, que foge a luz dos postes, que nos transforma em seres vulneráveis a sentimentos de saudade, nostalgia, prazeres e sonhos. A urgência que temos em vivê-lo mesmo que torto, inacabado, ferido, precipitado, errado, proibido, distanciado e talvez impossível, mas vivê-lo de verdade, com tamanha intensidade e sem amarras.O romance é estar sim em apuros, mas estou vivendo e por incrível que pareça não tenho a minima vontade de ser salvo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário