Sou como
um aeroporto, chegas e partidas são a única certeza que tenho. Dentro destas incertezas há tantos sentimentos que se mesclam e se misturam como o café se
mistura com o leite, o amargo mistura com o doce e cria um novo sabor, mais
suave mais agradável, porém acho que todos somos um aeroporto, chegadas e partidas
acontecem a todo o momento, o calor do abraço na chegada o suspiro profundo da
partida. Mesclam-se sorrisos com lágrimas, o amargo com o doce. Há quem capte
de longe os sinais dos aviões que se
aproximam da pista de pouso, há quem da sinais para que eles dêem a partida, e há
também aqueles que se fecham aos vôos, ou tenham medo dos mesmo.
Por medo
das partidas há tantos que não deixam nenhum pousar e se fecham. O aeroporto
está fechado para chegadas. No entanto, a gente só
percebe o calor do abraço quando sente a dor de respirar o ar frio da solidão.
Nessas
chegas e partidas a única coisa que vigora são os os sentimentos, a ida sempre
faz com que alguém chore, a chegada sempre faz com que alguém sorria e chore.
Não há uma forma concreta de fazer essa roda gigante parar de rodar, voltam-se
os olhos aos radares.
E continuar pra quê? Continuo com a força do que levo pra
vida. O saldo positivo disso tudo é a quantidade de aviões que acolho em meus
hangares. Aqueles que permanecem, que fazem pequenos voos, que partem mas que voltam. Pedaços de histórias que conto pra mim mesmo todo dia, lugares desses vôos, enquanto ergo
um tímido sorriso quase que instantâneo de realização por saber que mesmo com partidas e também chegadas há um saldo válido dentro dos meus hangares.
E você,
aeroporto em greve, tá esperando o quê, olhando pra cima?
Fique sabendo que avião não pousa
em aeroporto fechado.

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