quinta-feira, 16 de maio de 2013

Das casualidades de vindas e idas.




Sou como um aeroporto, chegas e partidas são a única certeza que tenho. Dentro destas incertezas há tantos sentimentos que se mesclam e se misturam como o café se mistura com o leite, o amargo mistura com o doce e cria um novo sabor, mais suave mais agradável, porém acho que todos somos um aeroporto, chegadas e partidas acontecem a todo o momento, o calor do abraço na chegada o suspiro profundo da partida. Mesclam-se sorrisos com lágrimas, o amargo com o doce. Há quem capte de longe os sinais  dos aviões que se aproximam da pista de pouso, há quem da sinais para que eles dêem a partida, e há também aqueles que se fecham aos vôos, ou tenham medo dos mesmo.
Por medo das partidas há tantos que não deixam nenhum pousar e se fecham. O aeroporto está fechado para chegadas. No entanto, a gente só percebe o calor do abraço quando sente a dor de respirar o ar frio da solidão. 
Nessas chegas e partidas a única coisa que vigora são os os sentimentos, a ida sempre faz com que alguém chore, a chegada sempre faz com que alguém sorria e chore. Não há uma forma concreta de fazer essa roda gigante parar de rodar, voltam-se os olhos aos radares.
E continuar pra quê? Continuo com a força do que levo pra vida. O saldo positivo disso tudo é a quantidade de aviões que acolho em meus hangares. Aqueles que permanecem, que fazem pequenos voos, que partem mas que voltam. Pedaços de histórias que conto pra mim mesmo todo dia, lugares desses vôos, enquanto ergo um tímido sorriso quase que instantâneo de realização por saber que mesmo com partidas e também chegadas há um saldo válido dentro dos meus hangares.
E você, aeroporto em greve, tá esperando o quê, olhando pra cima?
Fique sabendo que avião não pousa em aeroporto fechado.

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