Saudade não é o que a gente
sente quando a pessoa vai embora. Seria muito simples acenar um tchau e dizer até logo, e
assim contentar-se com memórias em fotografias ou sentimentos apertados dentro
do peito, saudade nada mais é que a ausência, é viver no presente, e sentir o passado, é reviver
momentos, é o par de copos ao lado do vinho é a escova de dentes ao lado da sua
lembrando duas, o duplo, o eu e o você.
Saudade é a forma mais doída de fazer com que você lembre que a tal
pessoa não foi, pelo contrário ela ficou, e ficará, por isso a ausência ocupa
um certo espaço, um vasto tempo, ocupa a cabeça e também corroí os sentidos do
coração. E ela faz com que a gente invente coisas, nos leva a tão perto da
loucura, mas a loucura interior, aquela
que só eu sei, que não é detectado pelo prontuario colado ao lado da cama. Ela
nós deixa de cama, mesmo quando estamos fazendo todas as coisas do mundo, e
inventando ‘’moda’’ ou ‘’modos’’ para que ela não seja sentida, ou que seja
amenizada, é o transtorno intermitente e perene de implorar por um pouco mais.
Um pouco mais de não sanidade, um pouco mais de tudo e de nada.
Por isso que passe o tempo, e que ele deixe para mim a função de pontuar
as frases, e acrescentar os acentos na palavra ausência, pois o ponto final
disso tudo eu entrego a você, é tua função calar a saudade e deslembrar a
ausência, é teu faça o que achar necessário.

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